Paradoxo da Corte Limites dos poderes judiciais na recuperação judicial e a posição do STJ

Questão que tem se tornado polêmica nos domínios do Tribunal de Justiça paulista concerne aos limites dos poderes judiciais diante do pedido de desistência do recurso interposto contra decisão monocrática que homologou o plano apresentado por empresa recuperanda.Observa-se que a doutrina e a jurisprudência consideram o objeto da recuperação judicial como um negócio jurídico, de natureza privada, celebrado entre a recuperanda e seus respectivos credores.

E, exatamente por esta razão, nada obsta a que, a teor do artigo 998 do Código de Processo Civil, a parte recorrente desista de eventual recurso que interpôs durante o processamento da recuperação.

Tenha-se presente que a desistência do recurso constitui um fenômeno extintivo do poder de recorrer, que inviabiliza a sua apreciação e subsequente julgamento. Tal atitude da parte recorrente, a rigor, implica o "desaparecimento" da impugnação; é como se jamais tivesse sido manifestada alguma irresignação contra o ato decisório recorrível!

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STJ divulga teses sobre penhora de bem de família e mudança de nome civil

O Superior Tribunal de Justiça divulgou a edição 631 do Informativo de Jurisprudência, com destaque para dois julgados.

O primeiro é da 4ª Turma, de relatoria do ministro Luis Felipe Salomão. De acordo com a decisão, é possível a penhora de bem de família de condômino, na proporção de sua fração ideal, se inexistente patrimônio próprio do condomínio para responder por dívida oriunda de danos a terceiros.

O outro julgado é de relatoria da ministra Nancy Andrighi. Por unanimidade, a 3ª Turma decidiu que a revelia em ação de divórcio na qual se pretende também a exclusão do sobrenome adotado com o casamento não significa concordância tácita com a modificação do nome civil.

Conheça o informativo
O Informativo de Jurisprudência divulga periodicamente notas sobre teses de relevância firmadas nos julgamentos do STJ, selecionadas pela repercussão no meio jurídico e pela novidade no âmbito do tribunal. .

Familiares serão indenizados por selfie de funcionário de funerária junto a corpo

"...a fotografia estilo selfie foi feita mostrando o corpo da falecida nua, sobre uma mesa (...). Algo extremamente estarrecedor e sem nenhum fundamento e justificativa plausível, que, sem sobra de dúvidas, atingiu os autores, em momento muito delicado da vida." Sob essa análise, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, por unanimidade, confirmou condenação de funerária e aumentou a indenização a ser paga a filhos de falecida. A imagem dela foi exposta em grupo de Whatsapp quando seu corpo estava sendo preparado para o velório.

Fato

Os quatro autores da ação narraram que, em decorrência do falecimento da mãe, contrataram a funerária Venâncio, na cidade de Venâncio Aires, para realizar os preparativos do sepultamento. No dia do velório, enquanto participavam dos atos fúnebres, os filhos receberam a notícia - por intermédio de pessoas do círculo de convivência - de que estava circulando, no WhatsApp, fotos da matriarca nua e passando por procedimentos que antecediam a preparação do corpo. Verificaram que a fotografia havia sido feita por funcionário da funerária em formato selfie, com a frase: "Se o trabalho de vocês está ruim, imagina o meu aqui." O empregado enviou a foto para grupo do aplicativo, integrado também por um dos filhos da falecida. Perplexos e revoltados com a situação, além da consternação e abalo pela morte da mãe, ajuizaram ação.

Os autores destacaram que o funcionário em nenhum momento preocupou-se em manter sigilo da sua profissão e, tampouco, a funerária manteve a vigilância e fiscalização devida. Mencionaram que as publicações feitas tiveram forte repercussão na comunidade de Venâncio Aires.

O dono da funerária se defendeu alegando que o local possui placas de advertência de uso de celular, que não tinha como cuidar de todos os funcionários e que já havia demitido o empregado que fez a selfie. Já o funcionário que fez o registro alegou um dos filhos da falecida ligou para a funerária querendo saber dos procedimentos efetuados com a mãe.

Sentença

O Juiz João Francisco Goulart Borges, da Comarca de Venâncio Aires, fixou os danos morais em R$ 7 mil reais a cada um dos quatro autores, a serem pagos, solidariamente, pela empresa e pelo funcionário que fez a selfie. Para o magistrado,"perfeitamente passível de ressarcimento o dano moral causado no caso em exame, decorrente da repercussão da inclusão da imagem do corpo da falecida mãe dos autores em grupo de WhatsApp, o que por certo causou aos filhos e também aos demais familiares, grande abalo psicológico na ocasião".

Apelação Cível

Os autores da ação apelaram, pedindo o aumento do valor da indenização devido à gravidade dos fatos. A funerária também recorreu, sustentando não haver cometido conduta ilícita, mas sim o funcionário que efetivamente tirou a fotografia e a difundiu.

O relator do apelo no Tribunal de Justiça, Desembargador Tasso Caubi Soares Delabary, considerou configurado o dever de reparar os danos sofridos pelos familiares: "Certa a violação dos direitos da personalidade da falecida, mesmo após sua morte, o que resulta no dever de reparar os danos sofridos pelos seus filhos", destacou o magistrado. Acrescentou que a versão de que não houve intenção pejorativa derruiu pela frase que acompanhava a foto, sobre a natureza do trabalho exercido na funerária.

Por fim, diante da conduta grave, entendeu - como uma forma justa de compensar os danos sofridos - por majorar a indenização, de R$ 7 mil para R$ 12 mil para cada um dos quatro filhos.

Participaram do julgamento os Desembargadores Eugênio Facchini Neto e Eduardo Kraemer, votando com o relator.

MEDIAÇÃO FAMILIAR: a (des)necessidade da intervenção do Poder Judiciário

 

Resumo: Diante dos novos preceitos adotados pelo ordenamento jurídico, verifica-se um grande empenho do legislador em promover a prática da mediação e de outros métodos autocompositivos. O Novo Código de Processo Civil trouxe muitas inovações, com atenção especial à inclusão da mediação, bem como à exclusão da audiência de ratificação, quando comparado ao Código de Processo Civil de 1973. Isso porque o Estado viu a necessidade de implementar práticas que estivessem em consonância com economia e a celeridade processual. Este artigo científico analisa, especificamente, se há imprescindibilidade na realização da audiência perante o Juiz para ratificação do acordo realizado nas mediações familiares envolvendo direito indisponível, à luz do Novo Código de Processo Civil. Este estudo está baseado em pesquisa bibliográfica documental, em que são utilizados doutrinas, artigos científicos e legislação, além de jurisprudências do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e do Superior Tribunal de Justiça. As decisões encontradas demonstraram a evolução dos posicionamentos adotados pelos Tribunais supramencionados, bem como os efeitos das mudanças legislativas. Isso pois os Ministros e Desembargadores passaram a defender que é dispensável a realização da audiência de ratificação, quando efetuado acordo através da mediação familiar. Constata-se, portanto, que a prática da mediação vem crescendo no cenário jurídico brasileiro, bem como atende os paradigmas trazidos pelos legisladores. Logo, exigir a realização da audiência de ratificação é uma contraposição com o objetivo da mediação, que é promover a solução do conflito sem a intervenção do Poder Judiciário.

Palavras-chave: Mediação familiar. Eficácia. Audiência de ratificação.

Abstract: As a result of the new rules adopted by the legal system, there is a great effort of the legislator in promoting the practice of mediation and other autocomposition methods. Novo Código de Processo Civil brought many innovations, specially when it comes to the inclusion of mediation, as well as the exclusion of the ratification hearing, when compared to Código de Processo Civil de 1973. That happened because the legislator realized that it is necessary to implement practices which aims procedural speed and economy. This scientific article examines the indispensability of the hearing before the judge to ratify the agreement in family mediations involving unavailable rights, according to Novo Código de Processo Civil. The study is based on documental bibliographical research, in which are used doctrines, scientific articles and legislation, as well as jurisprudence of Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul and Superior Tribunal de Justiça. The decisions found showed the evolution of understandings by the mentioned courts, as well as the legislative changes' effects. The judges started to argue that it is not necessary to maintain the ratification hearing when family mediation results on an agreement. Therefore, mediation has been growing in Brazilian legal practice and attend to the new paradigms brought by legislators. Thus, maintain the ratification hearing denies the purpose of mediation, which is to promote the resolution of conflicts without Judiciary's intervention.

Keywords: Family mediation. Efficiency. Ratification hearing.

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A supremocracia e o desamor pela Constituição Federal

Há algo cujo odor vem incomodando narizes mais sensíveis à detecção de arbitrariedades do poder. Parcela da doutrina, pouco deslumbrada com progressismos de ocasião, já advertia para o risco de excessos, e hoje em dia editoriais e artigos publicados em conhecidos periódicos alertam que não se constrói uma democracia lacerando direitos fundamentais (entre os quais aqueles inerentes ao devido processo legal) (por todos: Lenio Luiz Streck, em obras e ensaios jurídicos). Não importa o órgão ou agente estatal, tampouco os argumentos e as intenções que empregam, não é tolerável a implosão daquilo que configura o alicerce sobre o qual se devem(riam) projetar o Estado Democrático de Direito e a sociedade.

O que está em jogo, sendo erodida paulatinamente, é a estabilidade constitucional. E o exemplo, por mais bizarro que seja, surge de cima, pois seu principal algoz é a instituição desenhada sobretudo para protegê-la: o Supremo Tribunal Federal. É evidente que, em tempos nos quais a legalidade tem seus limites semânticos evaporando ao sabor dos ideários daqueles que detêm o poder decisório, o argumento não tem lá muita valia, mas é preciso insistir na obviedade de que quem estabeleceu a razão de existir do STF foi ninguém menos que o constituinte originário. O comando está gravado, com clareza invejável, para conferência e apreensão de qualquer um: "Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente a guarda da Constituição..." (CRFB/88, artigo 102, caput). Decerto que o advérbio grifado não foi ali plantado, no coração da frase imperativa, por obra do acaso ou para fins estéticos, senão para assinalar o papel contramajoritário que deve(ria) distinguir a atuação desse órgão judicial.

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ISSN 1981-1578

Editores: 

José Maria Tesheiner

(Prof. Dir. Proc. Civil PUC-RS Aposentado)

Mariângela Guerreiro Milhoranza

Prof. da graduação em direito da IMED

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