"AMAzônia": estamos amando como deveríamos? Segunda parte de reflexões sobre aquela que carrega o amor dentro de si.

 

O texto anterior, publicado neste portal, foi analisada a conjuntura da Amazônia sob o prisma do Direito Ambiental.

Neste momento, já com o breve embasamento jurídico que fora apresentado, traz-se o questionamento feito ao final da primeira reflexão: "estamos, realmente, amando a "AMAzônia" como ela deve ser amada?"

A Amazônia Brasileira representa uma gama de significados não apenas para o Brasil, onde está localizada, mas, sobremaneira, para o mundo inteiro que sempre tem um olhar atento sobre esta que pulsa com seu infindável verde das matas, a diversidade de animais, os rios, e aquilo que lhe é principal; o ar puro que advém deste ecossistema.

A pergunta trazida é pertinente ao momento atual que não só a Amazônia passa, mas, também o planeta como um todo.

Nesse viés, o disposto no Art 225 da Constituição federal que aduz quanto a se deixar um meio ambiente equilibrado para as "presentes e futuras gerações". Essa norma constitucional, que até mesmo deveria ser um regramento moral não tem sido assim estabelecido com o passar dos tempos: a proliferação das indústrias que disseminam a poluição no ar, as queimadas nas matas, a degradação ambiental, dentre outros fatores negativos têm contribuído para que a perspectiva futura seja extremamente sombria e nebulosa.

A conjugação do verbo AMAR nunca antes se fez tão necessária quando pensamos, especificamente, na AMAzôzia; afinal, já na palavra lá o amor está... mas por que somente o é na palavra? Por que não levar esse amor para todos os hectares que fazem parte deste ecossistema?

Perguntas que, aparentemente, não têm resposta pois, como dito não tem bastado apenas uma norma constitucional, sobretudo, dever-se-ia imperar um dever moral de se preservar aquela que em muito contribui para a vida humana.

Ainda neste contexto poético do amor, sabe-se que haverão de existir inúmeras manifestações que o venham representar... carinho... respeito... sentimentos... tudo isso dentro desta palavra que é pequena, mas que ao ser utilizada torna-se gigante a todos que o recebem.

Quando se propôs uma dupla reflexão sobre a Amazônia, seja uma de cunho mais técnico; seja outra em caráter mais metafórico, inegável se faz o sentimento com que o autor deseja trazer, qual seja: que se possa imaginar tudo aquilo que o meio ambiente já fez (e faz) para a humanidade e qual tem sido a retribuição que cada um tem se permitido fazer neste cenário.

Esta proposição aqui apresentada que vem complementar o texto inicial provocativo é, de fato, bem menor em termos estruturais haja vista que não será perseguida, literalmente, a resposta para o questionamento outrora referenciado.

Esta parte muito mais poética do que jurídica vem permitir que o leitor estabeleça um momento de interiorização e procure observar tudo aquilo que o rodeia e possa, em uma resposta silenciosa, denotar se percebe uma normalidade em tudo que acontece a sua volta.

Rios poluídos; lixo nas ruas; degradação ambiental; queimadas nas matas; morte e extinção de espécies animais... como pensar em um meio ambiente melhor para as gerações futuras, se esta geração não tem correspondido para que dias melhores possam surgir.

E quando se apresenta a AMAzônia (pausa)... precisamos de respirar fundo e pelos pensamentos indagar se é justo o que ela hoje tem se apresentado em detrimento em tudo que ela já fez pelo Planeta Terra.

Amar é dos mais belos gestos que a humanidade um dia já se deparou. Repise-se 'dos mais belos', pois junto ao amor ainda surgem vários outros sentimentos que corroboram aquilo que se deseja para se ter dias melhores.

Infelizmente, esta geração tem se acostumado a ouvir o noticiário trazer que ora a Amazônia foi parcialmente queimada... ora foi desmatada... ora foi invadida... ora foi maltratada...

E, embora muitos fiquem estarrecidos, ainda é pouco o que se observa na proteção que se deveria trazer para aquela que é a maior mata do mundo.

Efetivar a disposição do Art 225 da Constituição Federal é conditio sine qua non para se buscar restabelecer ao que da Amazônia lhe é direito.

O texto primeiro, refletiu sobre toda uma base ambiental para que se busque a sobrevivência da Amazônia, entretanto, sem uma ação efetiva, a humanidade está fadada a ver definhar aquela que pode ser, em muitos aspectos, a salvação para que o mundo seja um lugar melhor.

A pergunta trazida, se bem refletida pode trazer uma boa oportunidade de mudança e aí sim, de fato, se prosperar para um meio ambiente ecologicamente equilibrado desde já e, lá na frente, a efetivação de tudo isto que se construiu.

Mas para não se ficar com um material, às vezes, vago no sentido de não se ter uma proposição efetiva à provocação, deixe-se a conjugação do verbo "AMAR" que muito se espera e deseja que aconteça:

Eu amo...

Tu amas...

Ele ama...

NÓS "AMA"zônia!

VINÍCIUS BIAGIONI REZENDE

Doutorando em Direito pela ITE/Bauru. Mestre em Direito pelas Faculdades Milton Campos. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete. Professor Universitário na Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete e Faculdade Santa Rita – FASAR. Advogado. Membro do Grupo de Estudos JusBioMed (Salvador/BA). Membro do Grupo de Estudos Araken de Assis – GEAK (Porto Alegre/RS).

 

REZENDE, Vinicius Biagioni. "AMAzônia": estamos amando como deveríamos? Segunda parte de reflexões sobre aquela que carrega o amor dentro de si.. Revista Páginas de Direito, Porto Alegre, ano 21, nº 1558, 03 de novembro de 2021. Disponível em: https://www.paginasdedireito.com.br/geak/498-vinicius-biagioni-rezende/8820-amazonia-estamos-amando-como-deveriamos-segunda-parte-de-reflexoes-sobre-aquela-que-carrega-o-amor-dentro-de-si

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Categoria: Vinícius Biagioni Rezende

ISSN 1981-1578

Editores: 

José Maria Tesheiner

(Prof. Dir. Proc. Civil PUC-RS Aposentado)

Mariângela Guerreiro Milhoranza da Rocha

Advogada e Professora Universitária

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